Mulheres

Mulheres. Às vezes eu mal digo o gênero feminino. Porque a gente há de convir que mulher é um bicho chato mesmo, sujeita a hormônios e sensível ao mais sutil mudar de vento… E mulher é maldosa, cruel.

Mas as mulheres à minha volta têm me surpreendido.

Porque eu olho para essas mulheres e vejo como todas são iguais, como todas têm os mesmo sonhos, choram as mesmas lágrimas, xingam os mesmos nomes!

Deusas, loucas, feiticeiras... Mulheres!

Ah, um brinde a todas as mulheres que cantam sob o chuveiro, espantando as suas inseguranças; que dançam na frente do espelho e cantam no secador de cabelos. Um salve para aquelas que quando choram correm para o espelho para ver a própria cara de desespero, os olhos verdes, ou para simplesmente rir no segundo seguinte com aquela expressão toda torta e horrível!

Um ‘Viva’ para aquelas que chegaram ao restaurante onde o ex estava e não queriam mais descer do carro; para aquelas que esperaram 1 segundo a mais para responder ao telefone só para parecerem desinteressadas; para as que fingiram que tinham um compromisso só para não parecerem desesperadas; para aquelas que mandam flores para si mesmas, só para despertar ciúme.

Parabéns para a mulher que já se sujeitou ao ridículo, ao vexame ou à rejeição para realizar sonhos eróticos, aplacar o desejo ou simplesmente fazer uma brincadeira.

Qual de nós não teve certeza de alguma coisa, deu aquela girada na baiana, e depois teve que enfiar a viola no saco, com a cara mais cheia de vergonha do mundo, pedindo desculpas – mas no fundo achando que de fato tínhamos razão?

E que mulher nunca vigiou o namorado? Qual nunca vestiu uma peruca e saiu disfarçada para ter certeza que era traída? Que mulher nunca fez coisas reprováveis para descobrir o que, na verdade, preferia não saber? Quando não preparou uma surpresa, chegou toda linda, e deu de cara com o namorado, com outra?

Toda mulher já fez tudo isso, através de si ou de uma amiga, na sua própria vida ou nas confissões secretas em noites regadas à lágrimas e desespero!

E quando as mulheres se reúnem, quando elas compartilham suas mais segredáveis vergonhas, quando elas se veem no sofrimento sincero e profundo daquela que ali está, elas sabem que são todas iguais, porque, qual de nós, há de julgar aquela que ama, que apaixonada esquece-se de si e simplesmente lança-se desarmada para ser aniquilada pelo inimigo? (sim, não há mesa com uma mulher chorando em que um homem não seja o inimigo!)

Mas, ah, a graça que há naquelas meninas que compartilham vexames, que se olham com misericórdia, lembrando-se, através das outras, das vezes que suas brincadeiras foram frustradas, que seus sonhos foram delirantes, que suas atitudes impensadas foram catastróficas, que seus piores pesadelos eram, ao final, verdade.

No amor, na paixão, as mulheres se largam e se esquecem que tem 20, 30, 40, 50, 60… elas tem todas 12 anos.

E é exatamente aí que elas são todas iguais: elas acreditam no que elas querem, elas ouvem o que elas querem, elas fazem o que elas querem e se colocam sempre reféns de uma situação da qual resultarão lágrimas, risos e crescimento. E aí elas se socorrem nas amigas, nas histórias semelhantes, na loucura que habita em todas nós.

E eu sei que tem gente que vai gemer de horror quando ver a letra dessa música, porque, tá, ela é mesmo brega, mas ela é muuuuuito mulherzinha! ;)

“Quando eu te vi me apaixonei, tive que seguir meu pensamento, eu não sou de ferro e nem de aço, nem meu coração é de cimento. Quando eu te vi não segurei, fui me desmanchando de paixão, eu já não dou conta do que faço, já não mando mais no coração. Me atirei igual á água, quando desce a cachoeira, me acendi feito uma brasa, com o vento na fogueira, me atirei sem para-quedas, e voei no seu espaço, fui cair feito uma pedra, no calor do seu abraço. Emoção tomando conta, meu olhar virou goteira, fiquei leve igual criança, quando cai na brincadeira, pela estrada do destino, sigo em sua direção, por você vou carregando toneladas de paixão.”

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O Brilho Dos Seus Olhos

Desde a primeira vez que o vi, o que mais me marcou foi o brilho que ele tinha nos olhos. Ele abriu os olhos e me viu, e tudo o que eu vi foi aquele brilho que parecia inundar todo o ambiente…

Durante anos eu o olhava nos olhos e seu brilho me invadia a alma, me inundava o dia, me iluminava os passos.

No momento em que eu tomava as decisões mais importantes da minha vida, enquanto eu pensava na sua vida, em quanto ela mudaria dali em diante, o que me guiava era aquela luz que irradiava dos olhos dele e que eu não desejava jamais ver se extinguir.

Os anos passaram, ele sempre ali. Não sei bem ao certo quando aquele olhar mudou. Não que o brilho tenha se apagado, porque quem brilha por dentro, nunca se apaga, mas seu olhar agora é outro. Ele tem um olhar tranquilo, ele tem um olhar sereno. Às vezes penso se ele sabe tudo o que está olhando ou se apenas captura tudo calmamente, sorvendo em capítulos tudo aquilo que ele ainda vai enfrentar.

Sua existência é sempre viva. Ainda que em silêncio, sua presença  inunda toda a casa. Por onde passam seus pés em saltos, percorrem meus olhos sua vida tão cheia de sonhos, seus dias tão cheios de atividades, seu relatos sempre tão cheios de emoções.

E eu busco aquele olhar cintilante que eu vi pela primeira vez há nove anos atrás. E sei que eles estarão sempre ali, onde quer que ele esteja, dentro de mim. Porque quem viu os olhos brilharem tão intensamente, quem viu esses olhos conhecerem a vida, descobrirem o sol e a lua e toda a beleza ao redor, quem viu esses olhos jamais há de perdê-los, onde quer que eles percorram, onde quer que eles olhem.

Em seus olhos estão seus sonhos e em sua vida ele os buscará, acreditando, como ainda hoje, que se o vento não pode ser contido, a imaginação tampouco. E onde ele se imaginar, estará. E onde ele levar o vento, ventará.

Parabéns, filho!

“In the chilly hours and minutes, of uncertainty, I want to be, in the warm hold of your loving mind. To feel you all around me, and to take your hand, along the sand, ah, but I may as well try and catch the wind. When sundown pales the sky, I want to hide a while, behind your smile, and everywhere I’d look, your eyes I’d find. For me to love you now, would be the sweetest thing, ‘twould make me sing, ah, but I may as well, try and catch the wind. When rain has hung the leaves with tears, I want you near, to kill my fears to help me to leave all my blues behind. For standin’ in your heart, is where I want to be, and I long to be, ah, but I may as well, try and catch the wind.”
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Para Viver um Grande Amor...

Vinícius de Moraes. É lindo! Na poesia cantada, no  jogo de palavras. É lindo ali, no papel.

Para viver um grande amor… Para viver um grande amor é preciso… viver.

Muito riso, algum siso. Pois a vida sem riso e toda de siso não é vida, é clausura.

Mas eu digo que para viver um grande amor é preciso olhar sem muito ver, é preciso ouvir e se encantar. Para viver um grande amor é preciso ser mulher, ser menina. É preciso ser homem, ser moleque. É preciso brincar com coisas sérias. É acreditar no que se ouve e olhar um mundo coberto de flores. Para viver um grande amor é preciso ser livre e por livre escolha escolher o amor. É amar sem preconceito, é ceder quando de direito. É preciso ser inteira e verdadeira, é preciso se entregar mesmo quando sabemos ser a maior das besteiras!

Para viver um grande amor é preciso ter olhos de encantamento, um corpo de sentimentos, e um amor sem sofrimentos. Porque ai de quem diz que amar é sofrer, este não amou, sofreu. Este não amou, tentou possuir.

Que o meu amor é feliz e ansioso, que é alegre e mentiroso! Ele mente quando define; quando não vê defeitos, mas diferenças; que não vê maldade, mas imaturidade. Meu amor mente quando esconde o que deveras sente.

Ah, que para viver um grande amor é preciso saber que amor nasce com um sorriso e morre a cada lágrima. E é preciso querer que ele renasça e provocar um novo sorriso, é preciso entender sua morte e respeitar o seu luto, é preciso ressuscitá-lo a  cada dia, a cada crise, a cada morte. Para viver um grande amor é preciso amar demais, querer demais, respeitar demais, perdoar demais.

Se for mulher, é preciso ser louca, santa e puta. Se for homem é preciso saber que toda mulher é louca, que toda louca é um pouco santa, que toda santa é um pouco puta.

É preciso alimentar o outro, é lembra-se a cada dia de suas inigualáveis qualidades, de seus ‘quase imperceptíveis’ defeitos (ops, defeitos não, d-i-f-e-r-e-n-ç-a-s).

Para amar é preciso, antes, emburrecer um pouco. E vendo-se burro, procurar a sabedoria que só o amor é capaz de proporcionar!

E saber que o amor também se aborrece, também se magoa, também se irrita. E saber que o amor é bom, ruins são as pessoas. E que se ruins são as pessoas, então, ufa, dá-se um jeito, porque de  pessoas pode mudar-se, mas o amor, ah, o amor… o amor é sempre o mesmo!

E amando pessoas, amando a vida, amando o que nos rodeia, saber que o amor está em tudo, está onde quiser vê-lo e para quem desejar tê-lo. Ele está em nós, onde escondemos; está no outro, se o descobrirmos. O amor é para ser sorvido, para ser vivido.

Para viver um grande amor é preciso estar vivo!

E parece até brincadeira que ao terminar esse post a @mariehauer tenha falado do blog da @daniarrais (don’t touch my moleskine) onde achei esse clipe e essa música para o post de hoje!

O clipe chama-se “Mapa-múndi”, do Thiago Pethit, com direção da Renata Chebel. É lindo!

“Me escreva uma carta sem remetente, só o necessário e se está contente. Tente lembrar quais eram os planos, se nada mudou com o passar dos anos e me pergunte o que será do nosso amor? Descreva pra mim sua latitude, que eu tento te achar no mapa-múndi. Ponha um pouco de delicadeza no que escrever e onde quer que me esqueças e eu te pergunto o que será do nosso amor? Ah, se eu pudesse voltar atrás…”

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(in)certezas

Das certezas que temos na vida, quantas realmente se concretizarão? Dos nossos maiores medos, quais se tornarão reais?

A vida é feita de mais perguntas que respostas. Aliás, diz um velho ditado que quando encontramos as respostas, o universo muda as perguntas. É um tanto quanto verdade!

Eu sei é que há momentos em que é tudo uma enorme confusão mental. Em que não importa o lado para o qual olhamos, parece que quanto mais se procurar achar respostas, justificativas, conclusões ou sentenças, maior será a bagunça, pior será o erro.

Às vezes, tudo o que se precisa é parar e esperar a chuva cair e lavar os restos que insistem em remanescer…

Será que vai chover?

Às vezes eu gosto de pensar que ‘alguém’ sabe o que está fazendo.

Por ‘alguém’, leia-se: o universo, Deus, Alá, Buda, os anjos que me rodeiam, as pessoas que me cercam, aquele que mais me interessa. Em que pese o meu sincretismo religioso e a minha fé de que qualquer ser humano ou celeste à minha volta possa entender e cuidar das coisas por mim, a verdade é que isso não acontece. Ao que tudo indica, esse universo celestial, assim como  o restante da humanidade, têm ocupações muito mais importantes do que destrinchar, separar por categorias e resolver os problemas que me agitam a alma!

Isso quando não atrapalham o bom andamento das coisas, quando não estão mais confusos do que nós, quando não misturam ainda mais as estações!

Depois eu brigo com Deus e ninguém entende o porquê.

A verdade é que, no fundo, eu sei que ainda que tudo pareça perdido, que nada esteja conectado com o que deveria, que a miscelânea seja completa, na hora em que eu precisar, quando for realmente importante, quando chegar o momento exato em que eu olhar para o todo e entender que a hora chegou, eu vou saber exatamente o que fazer. E farei.

Se a minha vida é um eterno ir e vir de perguntas sem respostas, me resta continuar a rir disso tudo, chorando de vez em quando, e refletir sobre o que me orientaram certa vez: – Sentir, não pensar.

O problema é que tenho sentido um mundo diferente à cada dia, a cada semana, a cada olhar.

E não chove há semanas…

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48

Hoje passei ali, em frente ao número 48 da Alagoas… E eu estava pensando nela desde de manhã, pensando em como estaria, em como estariam as crianças, em como estaria o pequeno…

A semana que passou foi de sustos. Ela quase me matou de susto.

Mais que um número...

Mas quando eu passo ali, em frente ao 48 da Alagoas, o que eu sinto é como se a vida ainda estivesse ali, como se ainda fossemos aquelas duas meninas despreocupadas, soltas, em risadas, cheias de sonhos, de expectativas, sempre cheias de coisas para fazer!

Eu sorrio a cada vez que a vejo, e vejo sua vida com tantos dos seus sonhos realizados. Eu choro quando a vejo triste e com problemas que ela abraça sem necessariamente dever.

E ela sorri a cada vez que eu lhe conto, às gargalhadas, as burradas em que me embrenho, e ela chora quando deito no seu colo tomada por todas as dores do mundo.

Mas é quando passo ali, no 48 da Alagoas, que faz sentido tudo o que passamos até aqui, juntas e separadas, cada qual em seu mundo ou dividindo o mesmo universo: é ali que estão guardadas nossas trocas, nossas alianças, nossas promessas e nossas vidas. É ali, onde tudo começou,  em 1990, que descansam nossas melhores memórias, nossas risadas mais gostosas, nossas serenatas na janela, nossas noites de estudo. Bem, SUAS noites de estudo. Eu preferia dormir sem estudar!

A vida muda em 20 anos. Eu tenho um filho, ela é sua madrinha. Ela acabou de ganhar seu terceiro bebê. O terceiro menino. Eu não a vejo mais todos os dias, não sentamos mais na mesma sala de aula, não comentamos mais dos mesmos rapazes. Não dormimos mais no 48 da Alagoas… Mas mesmo não tão habituais,  mesmo não nos falando todos os dias, sinto a sua presença em cada momento difícil que transponho, ouço suas palavras a cada pergunta que me faço, imaginando que frase tranquila ela me diria.

Porque tem certas coisas na vida que até não são nossas, mas vivem em nós. A minha vida tem várias, e ela é  uma delas.

“Fall is here, hear the yell, back to school, ring the bell. Brand new shoes, walking blues, climb the fence, books and pens. I can tell that we are going to be friends, yes I can tell that we are going to be friends… Walk with me Suzy Lee through the park and by the tree, we can rest upon the ground and look at all the bugs we’ve found. Safely walk to school without a sound, we safely walk to school without a sound… Well here we are no one else, we walk to school all by ourselves, there’s dirt on our uniforms from chasing all the ants and worms. We clean up and now it’s time to learn, we clean up and now it’s time to learn… Numbers letters learn to spell, nouns and books and show and tell, play time we will throw the ball then back to class through the hall. The teacher marks our height against the wall, the teacher marks our height against the wall… And we don’t notice any time pass because we don’t notice anything and we sit side by side in every class, the teacher thinks that I sound funny but she likes it when you sing. Tonight I’ll dream in my bed while silly thoughts run through my head of the bugs and alphabet… And when I wake tomorrow I’ll bet that you and I will walk together again, because I can tell that we are going to be friends… I can tell that we are going to be friends… “

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Dores

Seu corpo doía. Mal podia mover-se, mal conseguia respirar.

Mas doía-lhe mais a alma, na solidão perversa de quem, condoído, aguarda o conforto que não há. Ela podia perceber o que não estava lá. O que faltava. Ou se ausentava. Porque era difícil saber ao certo quando estava e quando não, se existia ou resistia, se era furtivo, se era ocasional ou se era intrínseco.

Ela nada sabia, ela apenas pressentia.

E ali, no recolhido do seu canto, no silêncio do seu mundo vazio, ela chorava as lágrimas da solidão assistida, ela sentia as dores do abandono anunciado, ela silenciava na melodia triste do riso encantado de outrora.

Ela hoje esperou. Esperou o aconchego que não viria nas palavras ou no toque, não viria no olhar ou na respiração. Ela esperou a confirmação da dúvida que sempre tivera.

E sabia que não teria respostas.

Pois as respostas não estavam aqui, ou ali, ou nele, ou nela. As respostas estavam na vida, as respostas estavam nos dias e nas noites, nos encontros e despedidas. As respostas estavam no silêncio que ela não ouvia, estavam no perfume que ela não sentia, estavam nas verdades que ela não queria.

E ela sentou-se. E chorou seu riso, e sorriu seu pranto.

E continuou, como sempre fazia.

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o menino e a bicicleta

Eu ando de bicicleta desde que me conheço por gente. Mas eu tenho claramente em minha memória o dia que aprendi a andar de bicicleta sem rodinhas. Porque eu alcancei uma liberdade e uma autonomia que só mesmo uma bicicleta sem rodinhas pode nos dar!

Foi meu padrasto quem me ensinou. Me colocava no alto de um declive todo gramado e, primeiro, descia me segurando. Até que me largou. E eu senti aquela liberdade que sempre quis: eu tinha conseguido.

Sim, eu caí. Muitas vezes. Algumas vezes caí e me machuquei pra valer. Outras eu vi amigos caindo e se machucando muito mais do que eu. Mas eu nunca perdi a vontade de andar de bicicleta, de sentir o vento no rosto, de sentir a velocidade e a emoção das descidas, mesmo quando elas representavam perigo.

Quem nunca desejou a sensação que uma bicicleta traz?

O Felipe andou de bicicleta de rodinhas, desde pequenininho. Quando ele fez 8 anos,  queria (e precisava) de uma bicicleta maior. E eu customizei uma para ele. Ele escolheu as cores, o aro, o banco, tudo. A bicicleta tinha tudo o que ele queria, era do jeitinho que ele tinha sonhado.

Mas não tinha rodinhas. Não comportava uma bicicleta daquelas, com rodinhas.

Nós levamos a bicicleta para a casa da minha mãe, na fazenda, para que ele aprendesse a andar. E lá fomos nós. Ele pedalando tímido, alguém segurando atrás, ele sempre olhando desconfiado, achando que iria cair. Algumas vezes ele estava andando sozinho, solto, sem perceber, mas nunca soube. Ele andou na bicicleta, mas nunca acreditou que tivesse andado. E o medo dele de cair era tanto que ele foi desistindo de andar. E encostou a bicicleta lá, num canto.

Ele admirava a bicicleta, achava maravilhosa, mas não andava. Ela era o presente que ele escolheu, montou, do jeitinho que sonhou, mas ele não tinha coragem de subir nela, de sentir a liberdade que ela traria, de conhecer aquela sensação que só quem desce uma ladeira em alta velocidade conhece.

Sim, sempre há o perigo de cair, mas quem se importa, quando a alegria de sentir a liberdade batendo forte contra o corpo é muito maior? E, afinal, tombos a gente leva, mesmo que não andando de bicicleta. A diferença é que de bicicleta, a gente chega bem mais longe!

A bicicleta está lá, encostada, até hoje. Talvez um dia ele sinta que cresceu o suficiente e que já é capaz de enfrentar o desafio, de subir nela e de lançar-se à experiência. Talvez não. Talvez o Rafael aprenda a andar de bicicleta antes dele e passe a usar a bicicleta que foi comprada para o Felipe, que era dele, mas que ele não quis.

Essa não é uma história para falar de bicicletas, de Felipe ou de Rafael. Ela é uma lição sobre a vida e seus presentes,  sobre o que tiramos dela, sobre desafios, sobre destinos, sobre escolhas.

Mas, convenhamos, é uma metáfora perfeita!

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Eu Te Odeio

Eu te odeio. Odeio quando quero estar só, mas tenho vontade de estar com você. Eu odeio quando você me olha e, sem dizer nada, parece me entender. Eu odeio quando quero olhar as pernas, os lábios, as coxas pela rua, mas só consigo pensar em você. Eu te odeio.

Odeio seu jeito simples de sorrir em meio às lágrimas, de rir em meio à dor. Eu odeio quando eu quero brigar, quando eu quero te culpar, quando eu quero te machucar, e você me olha como se eu fosse uma criança e recolhe meus pedaços sem se importar.  Eu odeio seu jeito de me encontrar.

Eu odeio seu modo infantil de me amar. Eu odeio sua falta de bom senso em escutar seus medos, odeio o descuido com que se lança, odeio a forma rápida com que se encontra. Eu odeio sua independência e sua liberdade.

Eu odeio quando enlaça suas pernas nas minhas e eu não consigo me soltar. Eu odeio quando sinto essas coisas que não consigo controlar. Eu odeio o medo de te perder e não saber onde encontrar.  Eu odeio quase te precisar.

Eu odeio imaginar que pode ser isso, que pode ser esta. Eu odeio ter e temer perder. Eu odeio olhar e querer, odeio sentir falta e não ter. Eu odeio te querer.

Eu odeio tudo que não posso controlar e odeio a impotência que isso traz. Eu odeio não saber e não dominar.

Eu odeio te amar.

“You make me sad, you make me strong, you make me mad, you make me long for you. You make me live, you make me die, you make me laugh. You make me cry for you. I hate you, then I love you … Then I love you more for whatever you do, I never, never, never want to be in love with anyone but you. You treat me wrong, you treat me right, you let me be , you make me fight with you. I could never live without you. You make me high, you bring me down, you set me free , you hold me bound to you. I hate you,  then I love you … Then I love you more. For whatever you do, I never, never, never want to be in love with anyone but you.”

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de volta à 5ª série...

Há um tempo na vidas das meninas em que elas são todas sem peito e acham os meninos todos nojentos e idiotas desinteressantes. Há um tempo na vida dos meninos em que eles não têm pelos pelo corpo e acham as meninas todas idiotas chatas e birrentas.

As meninas crescem, ganham peitos e continuam a achar os meninos nojentos, mas admitem que eles tem algum valor e que podem, talvez, ter alguma utilidade, embora continuem idiotas.

Os meninos crescem, ganham pêlos e continuam a achar as meninas chatas e birrentas, mas como elas são gostosas tem uma utilidade visual para eles, começam a assedia-las.

A verdade é que, depois disso, a vida começa a acontecer: entra em campo o desconhecido e perigoso desafio humano – o RELACIONAMENTO AMOROSO.

Meninos e meninas começam – em vão – a tentar entender o intrincado pensamento alheio.

Sim, em vão, afinal o sexo masculino não foi constituído para entender o feminino, e vice-versa. Qualquer esforço neste sentido, é totalmente em vão.

Mas as mulheres adoraram ter razão opinião formada sobre tudo, adoram ter razão entender sobre tudo e, acima de tudo, adoram ter razão falar mal dos homens. E eles merecem.

E os homens adoram resumir tudo a uma questão de período menstrual e falar mal das mulheres.

Tudo bem que, quando uma mulher encasqueta com uma coisa, bem… como diria… é foda um tanto quanto complicado!

Mas a verdade é que os homens insistem em continuar na mesma 5ªB, de onde deveriam ter saído há mais de 20 anos… sim, porque algumas coisas até são aceitáveis quando se tem 11 anos de idade, mas à partir dos 30, 35 (vá lá, com MUITA boa vontade), convenhamos, é ridículo um tanto quanto inconveniente.

Por outro lado, as mulheres, têm fama de loucas desequilibradas insensatas, porque às vezes chutam o pau da barraca se comportam de maneira histérica assertiva demais.

Me mostra o seu que eu te mostro o meu. E não vamos sair nunca disso?

O que há de errado com os gêneros humanos?

Olhando ao redor, as queixas parecem sempre as mesmas. E a máxima de “são todos(as) iguais” prevalece desde o tempo do guaraná com rolha.

E há mesmo necessidade disso? Não podem os homens adentrarem o universo da maturidade e as mulheres o da sensatez? Há mesmo a necessidade daquele jogo constante onde, desde a infância, competimos entre meninos e meninas?

Porque, sim, há coisas que são até bonitinhas quando se está na 5ª série, mas convenhamos…

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as coisas que mais importam...

Eu me deparei com esse vídeo hoje no facebook, linkado por um primo meu.

Lógico que enchi os olhos d’água (básico), mas o mais emocionante é lembrar do que realmente nos é importante…

Quando eu era criança e meu padrasto chegava, eu corria e me lançava no seu colo, sem medo, pois eu sempre soube que ele me seguraria. E ele me agarrava e me girava, até completar seu abraço! Ainda hoje, quando a vida aperta, eu sei que ele segura. Isso é importante.

E eu gosto de colo, e eu gosto de abraço, e ainda hoje eu me jogo em alguns colos, só nos que eu sei que podem me amparar. Tá certo, eu não chego correndo, como eu fazia antes, afinal, não tenho mais 20kg…

Mas de todos os que eu conheci, nenhum, até hoje, me provou que pode me agarrar e me girar, como ele fazia, sem me lançar longe e me fazer quebrar a cara!

Nesse filme, são os abraços que me fazem lembrar disso!

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