1. Mistura confusa de coisas diversas; MIXÓRDIA 2. Coleção de escritos sobre diversos assuntos ou de diversos autores num só volume; COLETÂNEA [F.: Do lat. miscellanea, orum.]
Ontem foi o dia da grande estreia. Ele se preparou o semestre inteiro. Ao chegar cedo em casa, da casa do pai, estava até de mau humor! (engraçado ver uma criança de 9 anos mau humoradinha de nervoso…)
Eu gosto de provocá-lo e ele logo estava rindo do próprio nervosismo.
Partiu para a escola, fantasias em punho – toda a parafernália amealhada durante as últimas semanas – e o texto na ponta da língua… Não sem antes repassar todas as pessoas que ele desejava que estivessem na plateia prestigiando seu momento tão esperado! É, os artistas são vaidosos! ;o)
No horário marcado estávamos todos lá. Dei-lhe um beijo de boa sorte e recebi seu largo sorriso em troca. Eu sabia todos os temores que estavam em sua mente e em seu coração… A timidez, o medo de esquecer-se do texto, a responsabilidade perante todo o grupo.
Ele ainda é apenas essa criança, cujos olhares, sonhos, temores e alegrias, conheço. Eu sei que falta pouco tempo para que isso tudo passe, se expanda de tal forma que não mais serei capaz de conter toda sua vida. Mas ainda ontem, quando seus pés tocaram o palco e vi seu sorriso em meio ao de tantas outras crianças cujos pais emocionados também encontravam-se ali, eu sabia que este era um momento para se guardar…
Não a apresentação em si – que foi linda e tão divertida. Não o desempenho dele em si – que foi preciso, com o texto na ponta da língua, pausado e claro como havíamos tantas vezes ensaiado -, mas o momento do seu enfrentamento, o momento em que ele deixou de lado todos os seus maiores temores, respirou fundo, abstraiu-se da dor de estômago e entrou. Entrou para a vida, fez-se capaz, conheceu sua força e seu poder, entendeu sobre capacidade, sobre enfrentamento, sobre conquista.
Talvez, mais velho, quando a vida o chamar para desafios muito maiores e ele se souber capaz, ele não se lembre que foi em um desses pequenos e aparentemente insignificantes momentos que o seu caráter a sua coragem se formaram, mas haverá dentro dele essa mesma sensação de vitória, que ontem vi estampada em seus olhos quando ele desceu do palco e correu por entre todos os seus amados ali presentes.
Ontem, ele cresceu.
O Capitão das Guerras...
(Um agradecimento mais que especial a todos que estiveram presentes conosco ontem, e a todos que, muito desejados não puderam comparecer. Próximos ou distantes, estão em nossos corações!)
Onde ninguém acreditava, ela via. Onde ninguém mais esperava, ela recebia.
Atravessando noites intermináveis, vivendo dias por pura obrigação, ela se mantinha na esperança certa de que haveria de chegar um dia, quando enfim sairia daquela existência medíocre para justificar tudo o que se havia enfrentado até então.
E ela contemplou tormentas, reorganizou casas, lutou em guerras, atirou-se em precipícios, estendeu mãos, recebeu abraços, construiu amizades sólidas, decepcionou-se com tudo na vida…
E em tudo ela olhava adiante, procurando pelo que só ela conhecia, aguardando o momento exato em que sua certeza se concretizaria.
Porque ela havia se cansado das tormentas, maldito as guerras, ressuscitado de suas mortes. Ela havia multiplicado tudo o que mais prezava e enfrentado em mil batalhas seus maiores temores. Ela deitava-se em seu recanto e acalentava tudo o que amava.
Ela estava certa de que quando a hora chegasse, saberia o que fazer, em quem confiar, como agir, de que forma se entregar.
Porque a vida a havia preparado pra aquele momento, para aquela experiência, para ser exatamente quem ela estava se tornando.
Ainda assim, conforme ela caminhava, conforme seus passos se contornavam, diante de tantos questionamentos e de tantas possibilidades, ela ainda suspeitava…
Suspeitava para si, suspeitava em si. Suspeitava apenas por suspeitar, apenas para desconfiar, unicamente para tornar o momento não revelável, para criar a segurança de que suportaria uma nova decepção, que poderia viver com alguma dúvida.
Não, não ela. Ela gostava de certezas. Via certezas em tudo, ainda que para ter certeza, mais tarde, de que estava errada! Mas eram as certezas que a moviam, eram as certezas que embalavam seu caminhar que, na suspeita, refreava-se, envergonhava-se, ressentia-se…
E ela parou. Parou e respirou. Sorveu o ar, a vida ao redor. Olhou a tudo e a todos e deixou-se tomar pela certeza: a certeza de que era viver que ela queria.
Em meio ao rebanho de ovelhas, o mais temido dos inimigos é o lobo. O lobo espreita, ataca, mata e come as incautas, muitas vezes sem nem mesmo ser notado.
Para arrebanhar as ovelhas, bem como para mantê-las juntas à salvo do lobo, os pastores utilizam-se dos cães. Com a proximidade do cão, o rebanho mantém-se coeso e unido, temendo tratar-se de um lobo, enquanto o cão na verdade está lá para protegê-las.
A vida é cheia de lobos. E cheia de cães. Cães e lobos são praticamente parentes, não fosse a essência, sutil, que os diferencia. Quando olhamos de longe, chegamos mesmo a achar que um cão é um lobo. E o lobo, ardil, facilmente nos convence de que ele é, na verdade, um leal cachorro!
Por essa razão, muitas vezes somos pegos de assalto afagando um lobo!
Onde estará o lobo? E quem vai nos proteger?
Mas há ainda a pior categoria de lobos, aqueles que se vestem de cordeiro, embrenham-se no grupo e passam despercebidos, conversando os mesmos assuntos e alertando o grupo todo sobre a presença furtiva do cão, acusando-o de ser um lobo.
O lobo em pele de cordeiro é gentil. É próximo e amigo, é solícito e sempre bem intencionado. Nunca se indispõe com ninguém. Transita livremente e se faz de protetor. Ele é ótimo.
O cão não. O cão ladra, açoita, anuncia. O cão assusta o rebanho e escandaliza por suas diferenças. O grupo inteiro olha desconfiado para o cão e tenta mantê-lo distante, tenta “proteger-se” do cão.
Mas é o cão, justamente, o nosso melhor amigo. Aquele que nunca nos enganou a respeito de quem era, do que pretendia, de como agia. É o cão que, ao fazer-se presente, afasta os lobos que espreitam. Porque não há nada que o sibilino lobo odeie mais do que o transparente cão.
Os lobos em pele de cordeiro sempre estiveram ao meu redor. Poucos passaram despercebidos. Para os que passaram, tive a sorte de contar com a lealdade, o amor e o carinho dos melhores cães que a vida fez a gentileza de colocar em meu caminho.
E é engraçado perceber como a desconfiança cega do resto do rebanho os impede de perceber que dormem, diariamente, com o verdadeiro inimigo.
(ou, no pior dos casos, eu apenas que não percebi que a natureza já fez o seu trabalho e selecionou os semelhantes…)
Há dias venho pensando nas possibilidades da vida. Há dias, converso sobre sonhos, sobre realizações, sobre elos. Há dias me dou conta das mudanças, das idas e vindas, das novidades.
Há dias venho refletindo sobre o que é realmente importante, sobre o que efetivamente desejo, onde estão aportados meus sonhos.
Porque, tudo bem, já falamos que a vida muda, que isso é rápido e que tudo é muito divertido. Mas para que isso tudo? Para o que mesmo é que nos damos conta das mudanças, para que mesmo é que largamos o conforto da segurança, para que deixamos a dúvida do desencontro, o incômodo do desagrado?
Por vezes eu sinto que agimos sem saber exatamente para onde. Que caminhamos por instinto, que seguimos por sobrevivência, que vamos na onda das marés que nos arrastam mais forte… Mas é isso mesmo que desejamos? Sermos, novamente, levados a um lugar onde, somente depois, passamos a analisar as circunstâncias que nos rodeiam?
Se você está seguindo para algum lugar, se você foi tomado de arroubo por um sentimento ou se você simplesmente entrou naquela fila em que muitos estavam, você já se perguntou se é lá mesmo que gostaria de estar?
Porque em caminhos, em sentimentos ou em desencontros, podemos sempre questionarmos onde queremos chegar. Você sabe?
E se não estiver ali, exatamente, onde você deixou?
Por vezes passamos uma vida sem parar para pensar onde queremos chegar. Noutras, sabemos desde crianças, mas a própria vida, as circunstâncias, as escolhas equivocadas, os passos mal dados, nos afastam daquele caminho…
Mais do que sonhar, é preciso saber reavaliar sonhos. É preciso crescer e, sabendo-se mais maduro, preparar-se para enfrentar novos desafios, novos dilemas. É preciso querer ir além, construir mais alto, mergulhar mais fundo.
A arte de ser feliz consiste em ver-se diferente e, sabendo-se novo, redesenhar-se, readequar comportamentos, reconstruir sonhos.
Hoje eu me vejo tão diferente, e ao mesmo tempo tão a mesma. Porque é como se a gente quisesse sempre o mesmo resgate, aquele que, de certa forma, já conhecemos. Mas olhar ao redor e perceber que há tanto mais, que as possibilidades vão tão além do velho e bom ‘confortável’ que construímos aqui dentro de nós e para onde sempre podemos fugir…
Sim, talvez não fique tudo sempre arrumadinho, talvez não esteja tudo no lugar em que deixamos… Talvez achemos uma toalha molhada sobre a cama, uma pasta de dentes aberta, roupas embaixo do armário, sapatos pelos cantos da casa. Talvez achemos um medo para o qual não estávamos preparados, talvez encontremos toda uma nova gama de possibilidades nas quais, nunca, sequer havíamos pensado. Talvez haja perturbação, incômodo, aflição.
Havendo isso tudo, haverá vida a ser vivida, haverá sonho ser reconstruído, possibilidades a serem realizadas.
Onde houver a confusão e a bagunça, haverá o novo, pronto para ser enfrentado.
Ela caminhava em meio às suas bagunças… casa, carro, roupas, tudo. Ela caminhava e sabia que a maior bagunça estava nela.
Tudo ao redor, aquela desorganização que reinava, ela sabia que se originava nela, no seu peito, nas suas vontades, no seu desejo, no que em si não era capaz de organizar, nas coisas que não mais lhe serviam e que ela não conseguia descartar.
Livrar-se do que não mais lhe servia. Ela sabia. Ela conhecia bem. Ela era velha amiga do seu coração e conhecia como ele agia. E como que por piedade segurava o que lhe era tão caro, o que estava prestes a cair, o que ela queria mas sabia que o coração não iria suportar.
E quando ela jogava certas coisas fora, ela sabia que elas não iriam mais voltar.
Por isso ela permitia a bagunça, por isso ela passava incauta entre desprezos, entre abandonos, entre confusões alheias, procurando suas joias, buscando seus melhores momentos, abraçando-se a cobertores imaginários na esperança secreta de que eles se mostrassem reais como que por encanto.
Ela esperava ser retirada da bagunça sem nunca ter que arruma-la, sem nada precisar despojar…
Mas não ela. Não assim. Com ela, nunca era assim.
E ela ergueu-se. E arrumou tudo. E reuniu pedaços, juntou seus cacarecos, livrou-se das coisas velhas. Ela tirou o que não mais servia, abriu espaços no armário, organizou cada pedaço. Mesmo as lembranças mais reticentes, deveriam ser organizadas onde agora pertenciam: uma prateleira, de onde elas, talvez, jamais devessem ter saído para entrar em sua vida.
Ali ela as olharia, ali ela as contemplaria. Ali elas permaneceriam, indeléveis, mas também inofensivas. Elas, agora, eram incapazes de feri-la, de perturbá-la, de agita-la. Elas agora eram, mesmo, apenas lembranças.
E haviam tantos espaços vagos para serem preenchidos…
É primavera. É lua cheia. É outro dia, é outra história, é outro sentimento. É outra realidade. É tudo novo.
É primavera! Onde os ramos adormecidos despertam, onde as flores brotam escandalosas, onde os animais em festa recebem suas ninhadas…
A natureza é sabia e se renova a cada ano. Nossas vidas? Se renovam a cada dia!
Mas para viver, para se renovar, para renascer a cada dia é preciso entender o poder dos ciclos, a sabedoria das estações. É preciso ter mais do que coragem, é preciso ter olhos e coração abertos, é preciso estar disposto, é preciso ter aproveitado verões, se preparado nos outonos, se reservado nos invernos. É preciso acordar pronto para as primaveras! E recebê-las!
O dia de início da primavera simboliza o equilíbrio. Dia e noite iguais. Luz e sombras. Tudo no mais perfeito equilíbrio.
Apreciar as belezas no momento em que acontecem...
E o equilíbrio, na natureza, só acontece duas vezes ao ano. No equinócio de primavera e no equinócio de outono. Este é o momento exato de apreciá-lo.
Na vida, temos a possibilidade de equilibrar nossos dias sempre, de ponderar nossas escolhas, de aparar nossas arestas.
O momento? O momento em que a vida acontecer! E ela não tem data marcada, como os equinócios. Ela vem e vai à nossa revelia, mas no embalo dos caminhos que percorremos, das direções que tomamos. Ela, por vezes, surpreende, por isso é importante manter olhos, pulmões, poros e coração abertos. Para não deixar passar. E que maravilha é surpreender-se! Que maravilha é acordar com uma história e ir dormir com outra! Que maravilha é abrir os braços ao vento todos os dias, apenas para senti-lo, e repentinamente perceber-se voando…
A primavera chegou. E trouxe as flores para que possamos apreciá-la com ânimo renovado. Mas muito mais do que isso, a primavera chegou para nos lembrar: sempre é tempo de recomeçar.
“Some say love it is a river that drowns the tender reed. Some say love it is a razor that leaves your soul to bleed. Some say love it is a hunger, an endless aching need, I say love it is a flower and you it’s only seed. It’s the heart afraid of breaking that never learns to dance. It’s the dream afraid of waking that never takes the chance. It’s the one who won’t be taken, who cannot seem to give, and the soul afraid of dyin’ that never learns to live. When the night has been too lonely and the road has been too long and you think that love is only for the lucky and the strong, just remember, in the winter, far beneath the bitter snows, lies the seed that with the sun’s love, in the spring becomes the rose.”
A traição, além da violação da confiança mútua atribuída, é um ato público. Ele envergonha por si e pela sociedade que lhe cerca. E por isso fere tanto. E por isso demanda, tantas vezes, um gesto positivo do traído.
Porque a traição não acontece em segredo. Ao menos mais uma pessoa, além do traidor, tem conhecimento dos fatos. Ao menos mais uma, quando não outros que também suspeitam. E comentam.
Não raro, o traído se sente compelido a tomar uma atitude, porque ‘o que todos vão pensar’… Tantas amigas afirmam que, se elas estiverem felizes, mas sendo traídas, não querem saber, pois isso as obrigaria a ‘tomar uma atitude’.
Traição envolve descaso, desrespeito e desamor. Envolve desonra.
Amorosamente falando, a pessoa não possui meios de conter a atração ou a admiração que nasce por indivíduos que a cercam; mas pode não agir em direção ao objeto do seu desejo, por uma questão de consideração, respeito, amizade… O que nos contém não é o não ter vontade, não ter desejos. O que nos contém é o não desejar expor o outro, o respeito que temos por tudo quanto ele representa e o fato do outro não poder se defender, por não estar presente. O que nos contém é a preciosidade do que possuímos e o valor que o outro nos tem.
Um sábio conselho...
A traição é cruel. Quando secreta ela quebra uma aliança. Quando pública, quebra a auto estima, envergonha e humilha.
Desde 1977 as pessoas não estão obrigadas a viverem juntas ‘até que a morte as separe’. Com o advento da Lei do Divórcio, o Estado sacramentou o direito dos cidadãos brasileiros de terminarem seus casamentos e casarem-se novamente. Estava assinada a carta de alforria. Isso deveria servir para tornar as relações que durassem, mais honestas. Uma vez que se cria a chance de escolha, de mudança, uma vez que se cria a alternativa, porque permanecer em algo que não mais se justifica?
Sim, a mente humana é fértil e encontra mil e um caminhos para explicar relações que se mantém baseadas em engano, em mentiras, em conveniências. Vão desde questões financeiras até um ‘não era nada de importante, eu não a (o) amava’.
Mas a verdade é que a traição não é sobre nós, é sobre o outro. Porque não importa o que sentimos quando agimos ou o que nos movimenta. Ela não é dimensionada pela ação, mas pelo resultado. Ela não é ruim pelo que a orienta, mas pelo que causa. Ela pode mesmo se originar em amor sincero – e pode acontecer e resultar em uma relação duradoura – mas, ainda assim, ela causa dor, desilusão e destruição em quem a sofre.
A traição é o mal que vem de onde menos esperamos, ou de onde não deveríamos esperar, porque parte do melhor amigo que deveríamos ter, daquele em quem mais deveríamos confiar.
Hoje eu vou falar só dela, porque é ela que povoa diariamente a minha vida!
Hoje é o seu dia, é nele que comemoramos a alegria que é tê-la ao nosso lado há exatos 28 anos…
Ela, para mim, é quase uma criança. Não pela diferença de idade, porque 10 anos, a essa altura da vida, são pouca coisa… Mas pela aura sempre leve, pelo sorriso sempre largo, pela palavra sempre de estímulo, pelo apoio sempre incondicional.
Ela é, de todas as minhas amigas, a mais visceral! É uma delícia quando eu lhe conto alguma coisa e sei que se eu amar, ela amará; se eu odiar, ela odiará. Ela sempre vai falar o que ela acha, de verdade, mas não sem antes me tirar daquele estado de tristeza e me jogar nas alturas, como se eu fosse mesmo o que de melhor pode haver sobre a face da terra. Ela primeiro prepara o terreno. Ela te deixa feliz, reduz suas preocupações a pó, ressalta todas as suas qualidades, e depois te diz como você foi tola/burra/estúpida/imbecil como se estivesse te comprando um enorme sorvete de chocolate!
Assim ela age, com a vida, com as amigas.
Mas isso não é o melhor. O melhor dela não é o que ela faz, mas o que ela é. Nós somos muito diferentes, em muitas coisas… Atitudes, dúvidas, fraquezas – e é exatamente isso que nos aproxima.
Mas em uma coisa nós somos iguais: na honestidade diante da vida.
E ela é sincera. Absolutamente verdadeira. Ela não é daquelas hipócritas, certinhas e que escondem sua real face. Ela é transparente, vibrante, cheia de vida. Ela conta seus erros, seus deslizes, suas histórias nem sempre ‘bonitas’ para alguns – mas que fazem dela quem ela é – com a maior naturalidade. Porque ela sabe que se ela esconder, não será ela. Ela chora, embora ninguém perceba, mas ela recolhe suas lágrimas como quem cata conchinhas e as usa para enfeitar o próximo dia, para arquitetar a próxima vingança ou simplesmente para presentear seus desafetos…
Ela não ama de mentira, mas ela não ama sempre. Ela ama, ela odeia, ela se vinga e ela cuida. Tudo com a mesma intensidade e com a mesma carinha de anjo. E ela é um anjo, disfarçada de diabinho que é pra ninguém perceber – mas eu sei que, lá no fundo, bem lá dentro, é o anjinho que usa aquele tridente pontiagudo para se defender dos males desse mundo.
Se eu pudesse, eu cuidaria dela pessoalmente. Se eu pudesse, eu afastaria os males um a um, com um sopro, com um tapa, com uma vassourada. Mas ela jamais deixaria… Ela gosta de pegar os males ela mesma – e ela sempre parece muito mais preparada do que eu para isso – e ela gosta de reduzir cada mal ao seu próprio estilo: com um desprezo que chega a cortar… E depois ela senta, olha para tudo, e simplesmente sorri. E vai dormir. Porque, afinal, o dia seguinte já está aí, e nele há muitas coisas para acontecer.
Ela é o meu lado negro perdido, a minha pior metade, a minha vozinha do mal. Bem, isso é o que ela diz! A verdade mesmo é que ela é a mão sempre ali, estendida, a cada passo que eu dou. Ela é a palavra sempre pronta, a cada vez que eu emudeço. Ela é o lenço sempre seco, a cada lágrima minha que corre. Ela é o bom dia nas minhas piores manhãs, ela é o cuidado nas minhas mais longas noites. E ela é as minhas mais divertidas quintas-feiras, meus almoços mais gordos, minhas bebedeiras mais memoráveis. Ela é o estrago do meu filho. Ela é minhas melhores fotos, meus mais largos sorrisos, minhas mais histéricas risadas. Ela é quem desperta em mim minhas melhores alegrias e é quem, certamente, povoará minhas mais felizes lembranças.
Ela é nossos All Stars!
E ela é odiada por 99% dos meus namorados! (perdoai-os, Senhor, eles nada sabem!)
Cseh, agora que eu te elogiei bastante, você cuidará de mim quando eu estiver velhinha e gagá, e me lembrará todos os dias de como nós riamos juntas, não importando o nosso estado de espírito?
Te amo, minha amiga!
“Você meu amigo de fé meu irmão camarada, amigo de tantos caminhos de tantas jornadas. Cabeça de homem mas o coração de menino, aquele que está do meu lado em qualquer caminhada. Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro, você tantas vezes provou que é um grande guerreiro. O seu coração é uma casa de portas abertas, amigo você é o mais certo das horas incertas. Às vezes em certos momentos difíceis da vida, em que precisamos de alguém para ajudar na saída, sua palavra de força de fé e de carinho, me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho. Você meu amigo de fé meu irmão camarada, sorriso e abraço festivo da minha chegada, você que me diz as verdades com frases abertas, amigo você é o mais certo das horas incertas… Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber, que você é meu amigo…Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber que eu tenho um grande amigo!”
Lendo o blog do @inagaki deparei-me com o último post, que é um meme para o qual ele foi convidado e consiste em falar 9 coisas sobre si. Eu achei divertido e resolvi participar!
Minha vida tem fundo musical (ou trilha sonora, como alguém querido gostava de me dizer), e uma das coisas que mais me remetem a lembranças é justamente a música. Assim, 9 músicas sobre mim…
1 - Eu cresci ouvindo música caipira. Sim, música caipira, aquela de raiz. Meu padrasto ouvia e, nós, por tabela. A primeira música que foi realmente importante para mim foi “Saudade de Minha Terra”, provavelmente nesta versão de Milionário e José Rico. Aos 8/9 anos fui aprender a tocar violão e essa foi uma das primeiras músicas que aprendi a tocar, só para cantar para ele. Até hoje, onde eu estiver, onde ele estiver, se a música tocar eu ligo para ele e canto. E meus olhos sempre se enchem de água e meu coração sempre se emociona.
Se um dia eu ficar velhinha e gagá, talvez essa seja a única coisa da qual eu me lembre.
2 - Quando meu pai morava em Londres eu, meu irmão e minha avó viajamos para lá em julho, onde ficávamos durante o mês. No meu aniversário de 7 anos estávamos lá e ele colocava “Outra Vez” para tocar na ‘vitrola’. Toda vez que eu ouvia a música, eu chorava. Ele achava bonito, então colocava para tocar várias vezes.
Até hoje eu não sei porque chorava ao ouvir a música, já que, aos 7 anos, eu certamente não tinha um amor para ser ‘de todos os abraços, o que eu nunca esqueci’. Fato é que esta também é uma música que, ainda hoje, me remete a uma vida inteira…
3 - Eu tinha 12 anos e, naquela época, qualquer menina da minha idade usava polainas e elaborava performances ao som da mesma música, inspiradas pelo mesmo filme: Flashdance! Não essa não é uma lembrança da qual eu exatamente me orgulhe mas, oras, eu tinha 12 anos…
E quem não se lembra das frenéticas pernas da atriz Jennifer Beals ao som de “What a Feeling”? Só quem não nasceu na década de 70!
4 - Minha vida musical foi talhada do sertanejo de raiz ao erudito. Eu também ouvia música clássica. No 1º colegial eu tinha um amigo que era o mais CDF da classe. Sim, eu era da turma do fundão, o que não me impedia de ser amiga dos CDFs também. E eu era. Um desses gênios que estudou comigo me ajudava com as aulas de Física quando a coisa apertava. E ele também ouvia música clássica. Foi ele quem colocou, pela primeira vez para mim – em fita cassete - uma das músicas de que mais gosto: “Bolero de Ravel”. Por muitos e muitos anos guardei aquela fita…
5 - O ano era 1988. Eu estava com 15 para 16 anos. Diferente de grande maioria das minhas amigas da época eu ainda brincava de bonecas e queria saber só de andar à cavalo. E não me importava com isso. Mas uma das minhas melhores amigas daquela época era mais velha do que eu e não se conformava que eu pudesse chegar ao 16 anos sem nunca ter dado um beijo na boca… É, ela conseguiu seu objetivo. Eu dei um beijo antes dos meus 16 anos e a música que tocava era “Time of my Life”.
Até hoje, quando ouço, sou carregada para aquela mesma sensação!
6 - Quando entrei na faculdade foi o ‘boom’ do sertanejo! Sertanejo brega, bien compris. Leandro e Leonardo cantando “Pense em mim” tocava em todas as lojas de discos da Praça da Sé, onde eu passava as minhas tardes de escrava estagiária explorada! Mas não foi essa a música que me marcou, mesmo porque eu a detestava!
Em compensação “Temporal de Amor” era a música que eu e minha melhor amiga ouvíamos até gastar a fita cassete e cantávamos na janela para o rapaz pelo qual ela era terminantemente apaixonada! Um clássico brega dos anos 90!
7 - Do dia em que eu soube que estava grávida, comecei a cantar para o Felipe. Cantei durante toda a gestação, cantei quando ele nasceu, enquanto amamentava. Ainda hoje, algumas vezes, ele se deita e pede para eu cantar. Quando toca a música no rádio ele fala: “- Olha mãe, a nossa música”, e cantamos na mesma voz….
Ano passado, no dia do famoso especial do Roberto Carlos ele estava na casa do pai. Eu estava com a TV desligada quando o telefone tocou e ele falou do outro lado: “- Mãe, você está assistindo o show? Está tocando a nossa música…” Eu liguei a televisão e ele cantou a música para mim ao telefone. Eu sou uma mulher de sorte.
“Como é grande o meu amor por você”.
8 - Eu me separei em 2005. Durante 2 anos minha vida foi em pé de guerra. Como tomei a iniciativa da minha separação, digamos que a parte contrária achou por bem tornar a minha vida um inferno dar-me algum trabalho… e durante esse tempo o que eu menos conseguia me lembrar era do tempo bom que eu pudesse ter vivido nos meus quase 8 anos de casada. Com efeito, eu achava que nunca havia tido um tempo bom…
Mas como a gente precisa fazer as pazes com o passado, meu ex-marido arrumou uma nova mulher e a calma voltou a reinar. E numa noite, ao pegar um pote de requeijão na geladeira e lambuzar um bolacha maizena com toda aquela gordura saturada eu me lembrei dos velhos costumes. Porque a gente comia muita bolacha com requeijão!
Na mesma hora eu me lembrei das coisas que também foram boas. Acho que fiz as pazes com a minha história e essa música me veio instantaneamente na mente quando isso tudo aconteceu.
“Costumes”
9 - A última música é o que vivo hoje. Exatamente hoje. Ouvi na semana passada – apesar de não ser uma música nova,- quando estava almoçando com meu padrasto. Ela me remete a alguns sentimentos. Talvez ela seja mais um sonho e menos uma realidade. Mais uma busca que um encontro.
Mas como o que me move é a fé, como eu acredito no que ninguém acredita, como eu vejo o que mais ninguém vê, eu continuo caminhando, sem nunca parar de perguntar: “Onde Estará o Meu Amor?” E chego onde a sabedoria de uma menina de 22 anos me recorda todos os dias: um dia ele brilha!
(com um beijo carinhoso para a Mascotinha, que faz a mim, e a outras ao nosso redor, acreditar nos seus sonhos!)
Tantos textos há sobre o amor. Textos que o ensinam, textos que o exaltam, textos que o descrevem… textos!
Mas o amor mesmo é vivido em cada um de nós, segundo a forma como vemos a vida, segundo a maneira como enxergamos o outro. O amor de cada um é vivido e conhecido somente em si mesmo.
E o amor tem várias formas. Ele pode ser maternal, fraternal, visceral… o amor pode ser por tudo e por todos e ainda assim ser único em cada um, por cada um.
Eu tenho muitos amores, todos imensos, todos únicos. Poucos são capazes de entender como posso amar tanto, e tanto amar a cada um (e ainda assim sobrar amor para dar a somente um).
Quanto tempo eles levarão para perceberem suas diferenças?
E hoje eu olhei o meu amor e entendi que o amor dele é diferente do meu. Que não importa o quanto eu ame, que pouco importa a forma como eu viva, o quanto me entregue. Que não faz diferença entender suas demandas, seus limites, suas manias e seus gostos, ele jamais amará como eu amo. Porque ele é ele. Ele é seus sonhos e suas certezas (sempre inabaláveis), ele é suas experiências e suas histórias. Ele é aquilo que é tão transparente que chega a doer, e ao mesmo tempo tão escuro e escondido que não sabemos mesmo se está ali, se chegou a vir.
Ele é infantil e suave, e o riso lhe foge pelos lábios de forma quase sorrateira, nas mais improváveis observações, nos mais incabíveis impropérios. E ele é velho e erudito, e a mágoa lhe toma o coração sangrando lembranças vivas, e a música lhe carrega por locais onde só a sua alma ousa penetrar.
Eu não sei porque chora, se chora. Eu não sei porque se alegra, se é que realmente se alegra. Mas eu sei que ao encontrar seu peito, ao recostar-me em seu silêncio, tudo o que ouço é paz, tudo o que sinto é música inaudível em toadas que embalam sonhos. E penso se essa paz é minha, ou se essa paz é do encontro. Se a paz sempre esteve aqui e a sua presença apenas a desperta, ou se essa paz é nossa e nessa comunhão ela nasce. Talvez eu nunca realmente saiba.
Quando caminhamos pelas ruas, observo se nossos passos andam juntos. Nem sempre. Por vezes se desencontram. E nesses desencontros eu sempre tento acertar o passo, eu mudo o trote, e alargo meu caminhar, até que meus passos encontrem os seus, e que o ritmo seja igual. Ele nem vê isso, mas para mim é importante. É como um símbolo desse elo que une casais, que os mantém juntos por uma vida. O casal deve caminhar num mesmo passo, no mesmo sentido. Isso me parece importante.
Mas hoje, ao ouvir suas palavras, ao repassar um pouco da sua história e ver como a minha foi diferente, como nossas certezas acerca da vida em comum são difusas, foi que eu percebi como o nosso amor é diferente…
Não que seja tão diferente o que buscamos no encontro. De certa forma, não é. Talvez também ele deseje a mesma confiança, a mesma certeza, a mesma coesão, a mesma lealdade e a mesma fidelidade. Talvez também ele deseje a segurança e uma mão amiga, o descanso e o apoio, o companheirismo e o estímulo de um olhar orgulhoso… Nossa diferença não está no que buscamos, mas no que acreditamos – ou na forma como acreditamos. Eu acredito em tudo isso. E eu acredito que seja para sempre. Ele duvida. Duvida que exista, duvida que possa existir.
É como se eu amasse buscando, ele afastando. Talvez eu ame desejando amar para sempre, e ele sempre esperando o momento de partir.
E que diferença há no nosso amor?
“Si te quiero es por que sos mi amor, mi complice y todo, y en la calle codo a codo somos mucho mas que dos… Tus manos son mi caricia mis acordes cotidianos, te quiero porque tus manos trabajan por la justicia. Tus ojos son mi conjuro contra la mala jornada, te quiero por tu mirada que mira y siembra futuro. Tu boca que es tuya y mia, tu boca no se equivoca, te quiero por que tu boca sabe gritar rebeldia. Y por tu rostro sincero, y tu paso vagabundo titubeando por el mundo, porque sos pueblo te quiero. Y por que amor no es aureola ni candida moraleja, y porque somos pareja que sabe que no esta sola. Te quiero en mi paraiso, es decir en mi pais la gente viva feliz aunque no tenga permiso…”
É o que dizem…