Suspeita

Onde ninguém acreditava, ela via. Onde ninguém mais esperava, ela recebia.

Atravessando noites intermináveis, vivendo dias por pura obrigação, ela se mantinha na esperança certa de que  haveria de chegar um dia, quando enfim sairia daquela existência medíocre para justificar tudo o que se havia enfrentado até então.

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Bagunça

Ela caminhava em meio às suas bagunças… casa, carro, roupas, tudo. Ela caminhava e sabia que a maior bagunça estava nela.

Tudo ao redor, aquela desorganização que reinava, ela sabia que se originava nela, no seu peito, nas suas vontades, no seu desejo, no que em si não era capaz . . . → Read More: Bagunça

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Dores

Seu corpo doía. Mal podia mover-se, mal conseguia respirar.

Mas doía-lhe mais a alma, na solidão perversa de quem, condoído, aguarda o conforto que não há. Ela podia perceber o que não estava lá. O que faltava. Ou se ausentava. Porque era difícil saber ao certo quando estava e quando não, se existia . . . → Read More: Dores

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Caminhos

Ela continuava vagando entre as reticências de sua alma. Continuava procurando o que esperava encontrar. Continuava olhando ao redor com os mesmo olhos de estrela, com o mesmo sorriso de luz, com a mesma esperança de outrora.

Ela andava por sua infância, pela mesma terra onde correra criança, onde se encontrara menina, onde . . . → Read More: Caminhos

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Hoje

Ela caminhou lentamente entre os corredores que conhecia tão bem. Passou pelos cômodos, vagou entre os móveis.

Banhou-se, como sempre fazia. Amaciou-se e perfumou-se como quando esperava pela sua chegada. Ela sabia que ele a tocaria e se aproximaria de seu pescoço, extraindo-lhe o perfume colocado especialmente para ele, e num abraço diria . . . → Read More: Hoje

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Tristeza

Ela estava triste. Um tipo de tristeza que vem de dentro, que vem da alma.

Ela estava triste com ela mesma. Com as ilusões que carregava, com as desilusões que ela mesma provocava.

Ela estava triste. E estava com medo. E ela sabia que era a única culpada, e ainda assim não conseguia . . . → Read More: Tristeza

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Olhares

Que dia era esse? O dia podia ser qualquer um, pois sua mente estava atormentada como sempre.

Entre a angústia da constatação de que perder algo a incomodaria, entre a surpresa da falta que ele fazia, entre a incômoda realidade de que aquilo era mesmo bom, melhor do que ser sozinha, ela pairou.

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Repente

De repente, não mais que de repente, ela se viu surpreendida.

Quando olhado de fora, não parecia nada fora do comum. Pelo contrário. Era como que normal, era natural, era espontâneo. Olhado de fora era só… um cara.

Mas ela foi surpreendida. Porque aquele cara comum, como quem nunca quis nada, chegou perto . . . → Read More: Repente

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Luz

Mais um dia, mais uma noite. Tanta coisa havia mudado. Tudo parecia meramente igual.

Mas eram nela, as mudanças. Era ela que olhava diferente, que sentia de outra forma, que vinha de longe e ia para não se sabe onde.

Ela era outra. Nunca mais a mesma. Parte da menina havia morrido outra . . . → Read More: Luz

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Ressaca

Não, ela não havia bebido. Às vezes ela bebia. Bebia com amigos, bebia com amores, bebia quando estava feliz. Hoje ela não havia bebido.

Estava de ressaca. Corpo maltratado, alma dolorida, coração magoado. Uma ressaca quase sem motivo, pois não havia quem merecesse seu desgaste.

Como a bebida traiçoeira que alegra quando ingerida . . . → Read More: Ressaca

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