Quinta-feira. Nem muito frio, nem muito quente. Nem muito cedo, nem muito tarde. Nem tão perto que desse pra ir à pé (porque, sim, eu sou preguiçosa) e nem tão longe que houvesse que sair do bairro.
Eu só tinha ouvido mesmo uma música. Ou duas. Mas me lembrava de verdade de uma, porque havia assistido ao vídeo, aliás, muito bem editado, o som gostoso daqueles que a gente logo sai cantando.
Esse aqui, ó:
Mas a verdade é que não foi por nada disso que me dispus a sair sozinha de casa – o que em outros tempos seria inimaginável – e me dirigi alegre e contente ao Tom Jazz para assistir ao lançamento do disco do Oswaldo Bosbah.
Eu fui mesmo por causa da Lu. Por causa dela eu fiz de conta que não estava com aquela tosse há 3 semanas e fingi que não incomodaria toda a plateia e fui.
Fui e o que encontrei não foi a menina que deixei há quase 20 anos atrás (logicamente eu não sou tão velha que dê pra ter deixado qualquer coisa há REAIS 20 anos atrás…). Encontrei a mulher que tinha encontrado ainda na semana anterior, seu sorriso franco, seu abraço caloroso. Fui e encontrei seu marido, voz macia, canto divertido, performance desinibida e músicas que me embalaram pela noite adentro como se já as conhecesse todas, como se pudesse cantá-las inteiras.
Um show para descontrair, para desligar da correria do dia a dia, para apreciar aquela menina que subiu no palco e soltou a voz com desenvoltura e graça. Um show para conhecer um som delicioso e com cara de todo dia. Um deleite.
Seria só isso se não fosse muito mais.
Sentada ali, as músicas, as letras, as melodias deliciosamente cantadas foram abrindo cada uma das portas que havia fechado. As palavras musicadas me emocionaram como há muito não me emocionava com sons e letras e me levaram, lentamente, para fora de um claustro em que havia me trancado.
Muito mais que as lágrimas que me encheram os olhos por várias vezes (que dizer daquela mulher cantando!), foi a sensação de pertencimento que me preencheu por aquela noite. Ali, naquele escuro que ilumina apenas o artista, senti que minha alma também se iluminava novamente, que eu era mesmo capaz de ser som e melodia, novamente.
Ver-se rodeada de gente há tanto amada – alguém que sempre fez parte de nós, mas para quem tememos ser desconhecidos – e ver-se tão acolhida, tão à vontade, certamente é um presente que não acontece em qualquer quinta-feira.
E macarrão com tequila nunca foi tão bom!
“Se a história se repete como farsa e o que lhe sucede é pungente; se a emoção é rara e esparsa e o que excede é incoerente; se o medo é nosso acessório e o que cria é cúbico; se o desencontro é o meu território e o virtual encontro é público; meu desgaste é pela demora…”

E que longo e tenebroso inverno !!!!.Mas a cronica valeu !!!!e que a emocao perdure para mais algumas .bjo
uau! que inspirador deve ter sido o show!!!
E foi mesmo, Bella! Vcs precisam conhecer! Quando tiver outro eu te aviso!
Bjs