na ponta dos pés

Hoje eu vi essa foto da minha sobrinha, quando estava começando a querer andar:

 

Só mais um pouquinho...

E e pensei: uma das primeiras coisas que a gente aprende é a ficar na ponta dos pés. Para ver um pouco além, para enxergar um pouquinho mais, para alcançar o que está quase aqui…

Sempre tentamos chegar em algo que não está ao nosso alcance.

O que ninguém nos explica é que, se não está ao nosso alcance, talvez não seja mesmo para nós.

Tantas coisas lutamos para alcançar, para conquistar, ou simplesmente para manter, sem nos perguntarmos se aquilo realmente nos pertence. Porque, de repente, pode ser que esteja ali, inatingível, porque pode nos ser perigoso…

Quando o Felipe era pequeno, tudo o que ele não podia pegar eu colocava no alto, trancado, protegido. Em todas as casas é assim. E em todas elas a criança é flagrada, ao menos uma vez, tentando burlar aquele cuidadoso esquema de segurança. Às vezes, infelizmente, ela consegue. E se queima, ou se corta, ou ingere substâncias que não deveria.

Nós somos as eternas crianças das nossas próprias vidas. Sempre tentando burlar as regras e chegar naquilo que estava ali, escondidinho, protegido de nós. Quando conseguimos, nos queimamos, nos cortamos, nos envenenamos. E choramos.

Choramos, mas continuamos na ponta dos pés, tentando enxergar aquilo que está fora do nosso alcance, pretendendo entender o que vemos em parte e não podemos tocar, buscando alcançar.

É preciso crescer antes de se aventurar a tocar em experiências que vistas de longe podem parecer lindas, mas cuja temperatura, fio e conteúdo, desconhecemos.

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4 comments to na ponta dos pés

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