Titãs do Iê-Iê

Sob um céu de quase noite, lindo, em meio à multidão até que comportada – se comparada àquela que os contemplava nos idos de 1986 – assisti ao show dos Titãs no encerramento da Virada Cultural em São Paulo.

O grupo, que começou bem ao estilo da banda de rock que arrastou adolescentes questionadores do final do regime militar às suas apresentações, demonstrou porque hoje reúne os quarentões que, aos 15, se aglomeravam ao som de  ”Cabeça de Dinossauro” e também suas famílias, filhos, de 4 à 14 anos… Cresceu e se tornou família também!

Com repertório para agradar a todos os gostos e uma plateia engajada, foi bom viajar no tempo e nas memórias que cada uma das músicas que me acompanharam durante minha vida despertam.

Ao som de “É Preciso Saber Viver”, como não se emocionar com todas as ‘tribos’ presentes se rendendo às ordens de Branco Mello e Tony Bellotto e reverenciando juntas, em uníssono coro e palmas, ao som da batida?

Sim, são músicas de minha infância e adolescência, e mais, são músicas que ainda hoje nos fazem pensar, não com a mesma fúria que questionávamos, mas com a calma dos quase 40 anos porque  é que “mesmo sem porquê eu te trago aqui, o amor está aqui comigo, mesmo sem porquê eu te levo assim, o amor está em mim, mais vivo…”.

Pular, cantar e vibrar com uma mistura de gente que só mesmo São Paulo é capaz de reunir, que hoje ia desde Minnie Mouse até velhos hippies e emos novinhos, passando por casais comportados e famílias inteiras, amigos, conhecidos daquele momento e alguns arruaceiros, aglomerados, cantando a uma só voz a primeira música deles de que me lembro: “Sonífera Ilha”. Me lembro onde estava quando a ouvi pela primeira vez, ainda desconfiada, antes que Adriana Calcanhotto a estragasse por completo com sua interpretação ‘corta-pulsos’.

Voltando ao final da apresentação para o esperado ‘bis’, depois de ter trazido Arnaldo Antunes ao mesmo palco, novamente levantou a plateia ‘virada’ desde a noite anterior e prestou sua homenagem aos paulistanos que, assim como eles, se construíram, cresceram, lutaram e sobrevivem na capital  mais eclética do nosso país.

Ali, hoje, por aquelas poucas horas, os diferentes eram todos iguais. Virados ou recém chegados, inteiros ou esgotados, novinhos e velhuscos, todos cantavam as mesmas músicas, pulavam aos mesmo acordes e se rendiam aos mesmos sonhos. Todos viajavam, cada um para dentro de si mesmo, nas lembranças que a banda, balzaquiana, desperta em cada um de nós.

*agradecimento especial ao @evandrospinelli, fotógrafo de plantão, que cuidou de registrar as imagens acima! ;o)

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2 comments to Titãs do Iê-Iê

  • Mari Hauer

    Ah bonita,

    Acho que as vezes esses momentos que temos na vida são importantes pra relembrarmos quem já fomos… Nem sempre somos os mesmos mas acredito que muitas vezes perdemos algumas coisas no caminho que precisamos resgatar. Fazer de novo algo da sua adolescência, passar por coisas que despertam as mesmas sensações, isso é realmente mágico…

    Esse final de semana eu andei de montanha russa por aqui e lembrei do auge dos meus 15, 16 anos… meu primeiro namorado sério. Lembrei do que eu queria da minha vida e, adivinhe, eu percebi o quanto eu tinha parado de pensar nessas coisas que são importantes PRA CARALHO e ainda quero do mesmo jeito… Além de relembrar, isso é renascer, reviver… Coisa mais linda!

    Tbm gosto de Titãs. Lembro de uma época que quero esquecer de uma parte mas faço questão de relembrar da outra! Eu era adolescente tbm! ;)

    Um beijo!

  • [...] Ano passado fui assistir Titãs, e escrevi este post aqui. [...]

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