O tempo de cada um de nós…
‘O Tempo perguntou pro Tempo: quanto tempo o tempo tem?…’
A trava língua acima era muito conhecida na minha época, não sei se as crianças ainda hoje a conhecem…
Fato é que o tempo tem muito tempo, e cada um tem seu tempo. E o tempo promove desencontros por vezes sofridos, por vezes convenientes.
No tempo de cada um, onde reside a questão do tempo, onde reside a questão da conveniência? Não é mesmo bom quando o nosso tempo é nosso, e ele é respeitado, porque é uma extensão da sua personalidade, porque é uma parte da sua beleza, porque é parcela do seu encanto?
Sim, eu tenho um tempo acelerado. Tudo em mim é acelerado. Como se eu não tivesse todo o tempo do mundo, como se fosse mesmo tudo se acabar agora, eu quero tudo-ao-mesmo-tempo-agora. De preferência nesse exato instante. E quando eu encontro algo que quero muito, algo que me encanta, algo que me fascina, eu vou.
Vou, e me lanço, e no mais das vezes, me machuco. Porque sempre, o que mais escuto é: calma…
E eu não quero calma. Porque, meu Deus, se eu vi, se eu reconheci, se eu amei, porque tenho que esperar, porque tenho que não ter e aguardar que o tempo passe, que a semana acabe…
Minha intensidade talvez ainda acabe me matando. Se eu tiver uma vida curta, dirão que era premonitório… Mas eu não acho. Não acho que seja porque morrerei de repente, muito em breve. É simplesmente porque eu gosto de viver, porque eu não entendo o porque de esperar por coisas que estão aí para serem vividas, e para serem aproveitadas, e para serem respiradas em todo o seu vigor!
E toda vez que alguém me freia, eu sinto uma dor. O frear não é de mim. Essa não sou eu. Eu sou de andar, de seguir, de mergulhar. E quando freio, é porque acabou.
E toda vez que sou contida, morre algo dentro de mim. Morre uma gana, morre uma parte da liberdade do meu espírito, morre um sonho. E, não sei porque, me sinto como aquele passarinho que sempre viveu na natureza e se vê preso dentro de uma arapuca.
Eu me sinto traída. Traída na minha essência. Traída na minha natureza.
Não, eu não estou certa. Não, eu não sou normal.
Eu sou aquela que, de perto, também tem seu quê de sandice, sua porção de loucura, sua parcela daquilo que ‘todo mundo tem um pouco’!
Por isso eu me olho de perto. Por isso me olho a fundo.
Quando sou contida com amor, por amor, ou pelo amor, eu sentirei tudo isso, a mesma coisa. Mas eu vou parar. E vou olhar. E talvez eu entenda, e talvez eu consiga, e talvez eu espere. Ou talvez eu só sofra, porque tenho tanto pra viver e não consigo.
Mas antes de tudo – e o mais importante – é que o meu tempo, a minha intensidade, a minha vontade, não é a do outro. Ela é minha. E o outro… Bem, o outro tem as dele. A intensidade, a vontade, o tempo.
Saber parar, mesmo quando dói, mesmo quando arde, mesmo quando é tudo o que não se queria, é um gesto de amor.
Para mim, é o maior de todos.
“Queria descobri, em 24h tudo que você adora, tudo que te faz sorrir. E num fim de semana, tudo que você mais ama. E no prazo de um mês, tudo que você já fez. É tanta coisa que eu não sei… Não sei se eu saberia, chegar até o final do dia sem você… E até saber de cor, no fim desse semestre, o que mais te apetece, o que te cai melhor. Enfim eu saberia, 365 noites bastariam pra me explicar por que, como isso foi acontecer… Não sei se eu saberia, chegar até o final do dia sem você… Por que em tão pouco tempo, faz tanto tempo que eu te queria…”


Quer saber o que eu acho??
Que vc é tão acelerada que nem a ansiedade vai conseguir te alcançar para que morras disso!
Querida amiga, como todos, tens defeitos e qualidades. Não se julgue nem se culpe, apenas viva no seu tempo, respeitando o tempo dos outros.
Mas mais uma vez a palavra “calma”: com calma TUDO se resolve – e nossa deliciosa convivência de pelo menos 4 ricos anos tem nos ensinado isso!
O mais engraçado é que nessa semana que passou foi você que me pediu calma e menos ansiedade… vai entender né Maricota???
Cseh
Eu me vi cuspida nesse seu texto! Sinto da mesma forma, na mesma intensidade. Sou igual em tudo que vc descreveu!
Eu não sei esperar. E, quer saber, quero que morra todo mundo que me diz que eu preciso ter calma! Porque eu descobri porque sou intensa, porque eu me jogo, pq eu não penso duas vezes pra viver – um amor ou uma dor -, pq sigo andando mtas vezes derrumando o que não tem equilíbrio e força pra permanecer do meu lado.
Vivo assim porque eu sei que tenho condições – emocionais e reais – de enfrentar o "dar certo" e o "dar errado". Porque, vc sabe, tem gente que não suporta as coisas dando errado e tem gente tbm que não suporta que as coisas dêem certo (escolhem sempre serem as coitadinhas, vítimas do destino, veja só!).
Quando a gente se conheceu, eu vi mto de mim e vc e mto de vc em mim! E a sua forma de simplificar as coisas, não enrolar pra fazer o que precisa ser feito, foi uma delas. Bom, acho que vc consegue perceber qual a relação disso com o seu texto, né? Essa coisa de que precisamos esperar o tempo do outro não existe. Acredito que para dois ficarem juntos, por exemplo, precisamos abrir mão, ser humildes e ter perseverança e que gritar nunca resolveu nada. Mas acredito que, algumas vezes, ter dúvida é ter certeza. Se vc sabe o que quer e o outro começa a dar uma enrolada e dizer que "veja bem, tenha calma, não é bem assim" penso que a pessoa não te banca emocionalmente. Tem gente que pra não enfrentar, sai correndo. E tem gente que, mesmo com medo, em pânico, finca os pés no chão e vai. Fecha o olho e se joga do 15o andar quando sabe que tem uma corda que vai segurá-lo. Enfrentamos nossos medos por aquilo que queremos muito! Vc sabe bem pq vc é mãe…
Bom, vou parar, pq escrever sobre isso daria um livro da minha vida e eu choraria de novo tudo que já chorei em anos de terapia. Passei muitos anos da minha vida me sufocando, me forçando esperar o tempo dos outros, trancando em mim tudo que queria transbordar. E nunca deu certo! Hoje, percebo que não tem nada de errado nisso, mesmo que isso não seja mto normal pra maioria das pessoas. Porque sei que eu banco a minha loucura e tenho c* pra bancar a loucura dos outros tbm!
Porque a minha loucura, pra mim, é vida! É ausência de medos e, se não ausência, capacidade de enfrentamento! Seguir em frente de coração aberto e tranquila com quem eu sou! Saber que eu estou disposta, aberta, a conhecer e dividir uma vida linda com quem também estiver disposto a estar do meu lado.
Um beijo enorme! E PAZ!
Mari, onde eu assino?
Fiquei pensando se essa daí no texto, era eu ou era vc, enfim… amei, parabéns!
texto bom eh aquele q.''pega''meio mundo !!!!me pegou tb.bjs mamae
Mariana, como sempre um texto lindo e sensível… Estava sentindo falta das suas postagens. Abraço…