Se Encontrar o Que Procura...

Estou com dor. Há dias estou com dor. Uma dor pungente, pesada, surda.

É no peito.

Hoje parei, pesei e senti: que dor é essa?

A dor de quem teme perder aquilo que muito quer.

Uma dor assim…

Minha mãe costuma a repetir em sua vasta sabedoria, sabedoria de quem viveu, de quem amou, de quem sofreu e sabe muito, muito mais do que eu: se tememos perder, já não temos. Já perdemos.

No momento em que tememos perder, deixamos de agir como nós. Permitimos que outro tenha mais importância que nós. E perdemos. E mais, nos perdemos também.

Verdadeiramente, nesta vida, o que temos? Porque, o que não pode nos ser tomado?

Mas, por vezes, procuramos muito por algo, mesmo sem saber exatamente o que é. Procuramos por um sentimento, procuramos por uma identidade, procuramos por um canto onde encostar e esperar pela tranquilidade que, parece, nunca vai passar. Um lugar onde o silêncio fala tudo o que se precisa ouvir, onde não somos 1 ou 2, mas onde somos nós, em silêncio, tranquilos.

Procuramos por aquela frase nunca ouvida, por aquele olhar que atravessa, por aquele que, não sendo nós, sabe tanto ou mais de nós, que nós mesmos.

Procuramos um encontro, e quando encontramos…

O que acontece quando encontramos?

Uma dor. Uma dor pungente, pesada, surda. No peito.

Uma dor porque, na verdade, eu não tenho. Eu encontrei, mas não tenho.

E tendo encontrado, realizando que nunca poderá ser meu, porque não pode ser contido, porque não pode ser domado, porque não pode ser confinado, porque pessoas nunca são, elas apenas estão… que fazer?

Eu posso fechar meus olhos, eu posso deixar passar. Se eu ficar bem quietinho, se eu fingir que nada sei, se parecer que eu nem mesmo vi, eu posso continuar nesse caminho que conheço bem, nas mesmas pedras em que já caminhei, com as mesmas defesas que já construí. Nada precisará mudar. Pode ficar tudo no mesmo lugar.

A dor? A dor vai passar. Ela sempre passa.

Ou eu posso ousar. Eu posso viver. Desafiar a dor, contornar o temor. Eu posso fechar os olhos e saltar. Eu posso também estar. Estar ali e continuar em mim. E no voo do viver, sentir a brisa inundar os dias que não podemos conter.

A dor? Bem, a dor, creia-me, de alguma forma, vai mesmo passar.

“Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom. Daqui não. Eu vivo a vida na ilusão, entre o chão e os ares, vou sonhando em outros ares, vou fingindo ser o que eu já sou, fingindo ser o que já sou, mesmo sem me libertar eu vou… É Deus, parece que vai ser nós dois até o final, eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro. De que vale ser aqui, de que vale ser aqui, onde a vida é de sonhar… Liberdade?”

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5 comments to Se Encontrar o Que Procura…

  • Mari Hauer

    Minha mãe costumava dizer que "ninguém morre de amor". O que ela queria dizer com isso? Que a gente sangra, sofre, dói. Mas sempre passa.

    A vida segue. As vezes nos arrastamos um pouco, respiramos fundo buscando fôlego lá no fundo e nem sempre encontramos. As pernas travam, a garganta dá um nó. Às vezes continuamos estáticos, com nossos recursos que sustentam bem mais que o nosso corpo. Mas a vida segue e o tempo cura. Ou remenda, do jeito dele e, muitas vezes o remendo sai melhor que o planejado…

    No fundo, não temos nada. Nem a perder, nem a ganhar. Construímos, com erros, acertos, pessoas que passam e que ficam. Mas nada como uma noite bem dormida pra ver o dia nascer em paz! A vida continua linda, independente de qualquer coisa!

    Muitos beijos!

  • G.

    Prezada Mariana, não sei se você vai querer publicar esse meu comentário… Mas, gostaria simplesmente de dizer que torço muito para que sua dor não simplesmente passe, mas que SUMA total e definitivamente, por você encontrar a panacéia completa que lhe traga alívio imediato e permanente… Cuide-se bem…

  • G.

    Ô, Mariana… Fiquei tão feliz por você ter visitado o meu blog e ainda deixado comentários por lá. Foi muito significativo para mim, viu? Eu estava com medo de você não publicar o meu comentário, porque às vezes fico com receio de estar sendo incoveniente. É que eu gostei tanto do seu trabalho que tenho publicado comentários excessivamente, acho que você deve ter percebido. Tenho medo de ficar com a fama de ser 'aquele cara chato' que fica falando toda a hora… Mais uma vez obrigado pela atenção carinhosa e parabéns pelos ótimos textos que você escreve.

    Felicidades sempre!

  • Lilla

    Mariana, descreveu tão bem minha dor, com tanta precisão.
    Tenho vindo por aqui anonimamente pois me identifico muito com o que escreve, só que com a diferença que não consigo publicar.
    Bom saber que tudo passa, né?
    Um beijo grande
    Lilla

  • G.

    Olá, linda e sensível Mariana… Estou passando hoje para dizer que já estou com saudades dos seus belíssimos textos. Preciso confessar que seus blogs realmente encontram-se entre os meus favoritos. Um grande abraço desse alguém que aprendeu a te admirar…

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